A casa nova já foi inaugurada. Ainda está vazia, mas já abriga o Jeca e sua amada.
Outro dia o capiau foi dirigir. Na Índia dirigem do lado "errado", mas isso é apenas o começo do problema. O trânsito é caótico por que tudo pode ser feito. Carros param no meio da rua. Andam pela contramão para entrar virar na próxima esquina. Não há faixas de rodagem, os carros, riquixás, bicicletas, ônibus, caminhões, entre outros, tentam entrar no primeiro espaço que vêm na frente.
Primeira experiência no trânsito. O carro é alugado, do corretor que ajudou a achar a casa. Ligar o carro. Como se faz? Não liga de jeito nenhum, o matuto pediu a ajuda de empregados do apartamento de baixo. Nada de ligar. Afinal, um deles conseguiu lugar. Lá se foram o caipira e a amada.
Comentário sobre as ruas de Nova Delhi. Foram projetadas por um inglês para servir de casa para...ingleses. São largas avenidas arborizadas, que irradiam de praças. Algo como Belo Horizonte e Goiânia. Como podem imaginar, não é muito fácil ir e vir. As rotatórias, balões, queijinhos, ou o que sejam, são territórios sem lei nos quais você entra e, de algum jeito sai do outro lado. Nesse território dá para ver que há ordem no caos. Apesar de uma batida ou outra por de vez em quando.
Sim, o Jeca. Estava dirigindo para o trabalho. Claro, entrou na rua errada (não do lado errado da rua, felizmente). Tentou voltar. Entrou em outra rua, também errada. Olhou para o lado, pensou que tinha descoberto onde estava e foi fazer a conversão. Infelizmente havia um sinal, vermelho. Parou no meio do cruzamento sem saber o que fazer, olhou para o lado e descobriu uma das coisas mais raras da cidade. Uma guarda de trânsito, de caneta na mão, multando o Jeca! Evidentemente, o roceiro terminou de fazer a conversão errada, parou o carro ao lado da guarda e foi falar com ela. Estrangeiro, primeira vez que está dirigindo na cidade, não está conseguindo se localizar. Libera da multa, vai. Foi. Parece que ela liberou.
O carro parado mais ou menos no meio da rua. Hora do rush. O carro não liga de jeito nenhum. A guarda manda sair logo dali. O chefe da guarda chega. Fica olhando. Nada do carro ligar. Abre a porta. Fecha a porta. Liga e desliga o alarme. Nada. Nada. O guarda chefe já esta rindo. O capiau, de terno, já sua quente (do calor) e frio (do mico e da possível multa) ao mesmo tempo.
O guarda-chefe percebe o aperto e vai ver qual é o problema. - O carro não liga. Não sei o que está acontecendo. Tentou ajudar. Não deu certo. Que fazer? Com toda autoridade que o uniforme policial lhe dava, começou a parar carros que passavam e solicitar que tentassem descobrir como ligar o carro. Poucos minutos depois, o capiau, que não é bobo nem nada, percebeu que aquilo não estava dando certo. Ligou para o corretor, dono do carro, e perguntou: como se liga o carro? Ah. Tem que apertar a embreagem enquanto vira a chave. Ligou o carro e foi-se, não sem antes agradecer ao bom guarda. Sem multa, aparentemente. A amada, roxa de vergonha, o Jeca suado. Vivendo e aprendendo.
Sem fotos hoje. Com toda confusão não deu tempo de registrar em pixels.
O roceiro manda dizer que nem tudo são flores aqui no Hindustão. Há enchentes, ataques a cristãos, explosões de terroristas, apesar de tudo ele acha muito bom estar aqui, apesar da falta da família e amigos.
5 comentários:
Seu Jeca, o que são essas pequenas turbulências diante do perigo que representa um capiau a mais no trânsito de Delhi?
Bom ter notícias daí e saber que vocês não se perderam nesse emaranhado de possíveis caminhos.
Beijos e saudades.
Que situação, meu caro! Continuo aqui à espera de mais notícias e torcendo por vocês!
Abraço!
OI, Jeca, é isso aí; "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Outro dia, disse um professor de criação literária: -- o que é uma comédia? É o ridículo de uma situação séria. Felizes somos nós que estamos a ler e rir. Bjos, saudades e queremos mais.
Ta precisando de outro puxao de orelha!
Meu querido amigo! Q grata surpresa um blog!! Adorei teu texto! Muitos beijos!
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